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Pediatra geral, Geórgia tem forte ligação com o cuidar e, ao buscar o “algo a mais” para sua carreira, encontrou a antroposofia
O Eludicar nasceu com o objetivo de colaborar para uma infância mais lúdica e saudável e conta com uma equipe de profissionais que acreditam no atendimento humanizado e na importância de ampliar a visão para a família como um todo.
Muito ligada à natureza e ao acolhimento no consultório de pediatria, Geórgia Mitiko Missao é a nova integrante da equipe de pediatria geral do Eludicar. Médica com ampliação em antroposofia, a profissional conta nesta entrevista um pouco de sua história, explica como se interessou por essa filosofia e fala sobre sua identificação com o Eludicar.
O que a fez escolher a medicina pediátrica?
A pediatria sempre foi um desejo e uma paixão para mim dentro da medicina. Sempre gostei muito do contato e tive muita facilidade para lidar com crianças. Durante a graduação, tentei abrir meus horizontes para outras especialidades, mas não tive dúvidas na hora de decidir.
O que fez você se encantar pelo Eludicar?
Conheci o Eludicar por meio de uma amiga. Ela me apresentou o Instagram do Eludicar e disse que o ambiente tinha tudo a ver comigo, assim como a forma como o Centro Pediátrico trabalha e atende as crianças. Eu já tinha uma pretensão de me mudar para São Paulo, então comecei a ter contato com a equipe e notei os vários pontos em comum.
Ter essa liberdade dentro da consulta, de fazer a criança se sentir à vontade, essa questão do brincar e poder observar a criança de forma mais integral, foram os pontos que mais se encaixaram. Nossas ideias e objetivos se “casaram”.
Para você, quais são as principais mudanças no mundo da pediatria nos últimos anos?
A pediatria ainda é uma especialidade considerada nova. A criança só começou a ser vista realmente como criança recentemente. Ainda vivemos esse processo de mudança e precisamos entender que a criança não é um adulto pequeno.
Hoje, o que vejo é a busca das famílias por entender como a criança funciona, principalmente no sentido comportamental. É uma preocupação muito grande: afinal de contas, qual a minha interferência como adulto na criação da criança?
Esse é um ponto que os pais trazem muito nas consultas. Como integrar mais a criança no ambiente, entendê-la na escola e fazer isso de forma mais natural, tanto na questão medicamentosa quanto no contato, de deixá-la livre e mais próxima da natureza.
Na minha opinião, vivemos o momento do equilíbrio entre pais que tentam ter mais conhecimento e, ao mesmo tempo, acolher os filhos.
Qual a importância do afeto e do acolhimento para a saúde das crianças?
É fundamental. Quando começamos a tratar, notamos que, no consultório, não basta apenas medicar e orientar. É necessário que exista um contexto para isso acontecer. Esse contexto passa por esse acolher.
É muito difícil criar boas relações entre pediatra, criança e cuidadores quando não existe esse entendimento do acolhimento. Cada família tem sua dinâmica, o seu jeito de ser, mas o acolhimento é primordial. É um dos pilares no tratamento da criança.
O que é a medicina antroposófica?
A antroposofia é uma filosofia, e a medicina antroposófica é derivada dessa filosofia. Ela tem vários ramos, como a pedagogia, a economia, a agricultura… e a medicina é um desses braços.
Chamamos a medicina antroposófica de “ampliação”. Na medicina conhecida como “tradicional”, temos o foco no corpo físico. O conceito da antroposofia é enxergar esse indivíduo como um todo. Será que somos apenas o que conseguimos palpar e ver?
Dentro da medicina antroposófica, buscamos ampliar essa visão. Aí entram a alma, o espírito e a vitalidade, as camadas do ser humano. É como se tivéssemos uma camada material, que conseguimos palpar, e uma camada que não conseguimos ver diretamente.
Para definir a antroposofia, eu diria que é uma ampliação da visão do ser humano.
Como você conheceu a medicina antroposófica? Por que se interessou por ela?
Conheci o curso por intermédio de uma amiga, com quem trocava conhecimentos. Na minha vida pessoal, durante e depois da graduação, comecei a sentir necessidade de estudar mais a medicina antroposófica. Além disso, notei, já na pediatria, que existia uma demanda das famílias por algo diferente e que agregasse.
Quais as diferenças com a medicina tradicional que você considera mais importantes?
Além do olhar distinto para o ser humano, em busca do autodesenvolvimento, existem diferenças, por exemplo, no tratamento. Toda a medicação é de origem dos reinos da natureza. Utilizamos minerais, vegetais e alguns constituintes de animais e metais. São todos originários dos reinos naturais.
Como a medicina antroposófica pode beneficiar o desenvolvimento das crianças?
A antroposofia conta com a terapia biográfica, que separa a vida em ciclos de 7 em 7 anos. Muitos períodos da vida são focados na infância, na adolescência e no início da vida adulta. Estudar como esse desenvolvimento ocorre é muito importante na pediatria. Não apenas o desenvolvimento físico, mas também o emocional e o psíquico.
Os primeiros três anos formam um ciclo de muita relevância, já que a criança passa por três grandes marcos nesse período: o falar, o andar e o pensar. Essa infância é muito estudada pela antroposofia, o que é enriquecedor para a pediatria.
Na prática, qual a diferença da consulta pediátrica com ampliação em antroposofia?
Basicamente, a consulta segue a mesma estrutura. A diferença mora em como o pediatra vai organizar os dados trazidos pelos pais, para entender aquela criança como um todo. Para isso, aprofundo os questionamentos a respeito do comportamento da criança, suas preferências, formas de lidar com as diversas situações do dia a dia, para poder entender o seu temperamento, por exemplo.
O exame físico segue o mesmo padrão, mas também observamos o formato do rosto, a coloração do cabelo e outros detalhes, que entram em partes da sua constituição. O corpo físico é a linguagem da alma.
A grande mudança está em como o médico enxerga o paciente, nos tratamentos propostos e nas orientações à família, para atingirmos um desenvolvimento saudável. A medicina antroposófica não necessariamente exclui a medicação alopática, mas pode trabalhar junto a elas.
As pessoas podem confundir a medicina antroposófica com a homeopatia. Quais são as diferenças?
A busca pela integralidade é bastante semelhante por conta da utilização de medicação natural. A forma de enxergar o processo de saúde e de doença dos dois conceitos, no entanto, é diferente.
Não vamos entrar em grandes detalhes sobre a homeopatia, mas, basicamente, a homeopatia tem duas formas de entender e tratar a doença: levando em consideração a Lei dos Semelhantes e a Lei dos Contrários. Por exemplo, utilizando uma medicação que provoque sintomas semelhantes aos observados no paciente ou outra que combata tais sintomas.
Na antroposofia, também temos essas bases, mas a grande diferença é que passamos por um processo em que tentamos entender como essa doença funciona naquele indivíduo. Com base nesse entendimento, escolhemos a medicação.
Além disso, a medicação tem uma similaridade de preparo quando se pensa no processo de dinamização (diluição).
Como funcionam os medicamentos antroposóficos?
Enxergamos que o ser humano está inserido em um ambiente e que ele faz parte da natureza. Para chegarmos ao objetivo de conhecer melhor o indivíduo e auxiliá-lo no autodesenvolvimento e na cura, entendemos ser necessário manter boa relação com a natureza.
A medicação segue esse conceito. A antroposofia acredita que tudo o que está na natureza também constitui o ser humano. Assim, a medicação utiliza os quatro reinos que citamos anteriormente.
Outro diferencial é o preparo da medicação, já que ele depende de métodos especiais de cultivo e manipulação das substâncias.
Os medicamentos antroposóficos podem ser utilizados em conjunto com os alopáticos*?
Sim! Não há contraindicação no uso conjunto da medicação e, em alguns casos, é possível conseguir o desmame dos medicamentos alopáticos. É necessário, no entanto, um grande cuidado para a retirada dessa medicação.
Trata-se de um processo que pode ser longo. Por fim, fazemos uma avaliação da doença e do indivíduo, para buscar entender se é ou não possível fazer a retirada total da medicação alopática.
*Os medicamentos alopáticos são os mais utilizados pela medicina tradicional e, basicamente, têm o objetivo de combater uma doença produzindo efeitos contrários aos provocados por ela.
O que torna a medicina antroposófica tão especial? O que a prática vai agregar ao Eludicar?
Um dos objetivos do Eludicar é proporcionar também uma grande troca entre os profissionais. Ampliar a visão desses pediatras, fazer com que eles tenham um conceito básico do que é a antroposofia pode ajudar muita gente.
Um dos objetivos da antroposofia é orientar, capacitar. Dividir o conhecimento com os pais também é um propósito do Eludicar. Muitos conceitos não moram apenas na terapia, mas dentro de como se observa uma criança, especialmente em seus primeiros anos.
Ampliar essa visão que o Eludicar já tem vai trazer muitos benefícios não apenas para os profissionais que estão em constante troca, mas também para os pais, mesmo para aqueles que não tenham interesse em utilizar a antroposofia. Ter contato e conhecimento sobre alguns conceitos é muito interessante.
Veja o currículo completo de Geórgia Mitiko Missao clicando aqui.
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